Brilho da Esmeralda


Grupamento de esmeraldas na matriz
Fonte: National Jeweler Magazine

Vamos explorar uma das gemas mais fascinantes e cobiçadas: a deslumbrante esmeralda, que também é a pedra preciosa associada ao mês de maio.

  • Nomenclatura

A esmeralda, com sua tonalidade verde exuberante e transparência, deriva seu nome do grego “smaragdos”, que significa “pedra verde”. Esta designação é uma homenagem à sua cor vibrante, semelhante ao verde intenso das paisagens naturais. Pertencente à família do berilo, a esmeralda é conhecida por sua coloração que varia do verde claro ao verde profundo e é reverenciada por sua beleza e elegância atemporais.

Esmeralda na Matriz
Fonte: National Jeweler Magazine

  • Formação e suas principais características

As esmeraldas pertencem a familia mineral do Berilo. Elas se formam em veios hidrotermais e depósitos pegmatíticos. Em veios hidrotermais, fluidos quentes depositam minerais como o berilo, em áreas mais frias das rochas encaixantes. Nos depósitos pegmatíticos, o magma resfriado cristaliza minerais necessários para a formação da esmeralda. Esses processos ocorrem em diversos ambientes, como rochas metamórficas e sedimentares. A raridade das esmeraldas se deve às condições muito específicas para sua formação, que não são comuns globalmente.

A presença de elementos como cromo, vanádio e ferro no berilo, familia mineral a qual pertence as esmeraldas, é responsável por sua distinta cor verde. Quanto maior a presença desses elementos, mais intensa é a tonalidade verde da gema. Essa composição química única, combinada com fatores como a sua estrutura cristalina contendo possíveis inclusões, contribui para as diversas nuances de verde e as texturas internas encontradas nas esmeraldas.

Reconhecida por sua agradável cor verde, a esmeralda também é reconhecida por sua transparência peculiar que embora possa conter inclusões solidas, liquidas e gasosas, conhecidas num jargão mais retrô como “jardins”, são lapidadas nos mais diferentes formatos que realcem sua beleza natural. Quando ocorrem inclusões em maior quantidade, elas irão conferir um aspecto mais translucido à gema. (Incluir fotos)

Além de sua beleza incomparável, a esmeralda se destaca por sua durabilidade e dureza, atingindo 7,5 na escala de Mohs, tornando-a uma escolha ideal para joias de alta qualidade. Sua história rica em lendas e grande apelo de riqueza e poder ao longo da história, fazem dela uma das gemas mais desejadas e valorizadas em todo o mundo já por muitos séculos.

Esmeralda na Matriz
Fonte: SA_MagnificentJewels

  • Tratamentos

As esmeraldas são conhecidas por sua exuberante cor verde e estão entre as pedras preciosas mais cobiçadas. No entanto, devido à sua formação natural, muitas vezes contêm imperfeições que podem afetar a sua transparência e aparência geral. Para realçar seu apelo visual, diversos tratamentos são aplicados às esmeraldas e são amplamente aceitos na indústria desde que informados aos consumidores. Aqui estão os diferentes tratamentos que as esmeraldas podem sofrer:

  1. Preenchimento de fraturas: Esta é a forma mais comum de tratamento para esmeraldas, onde as fraturas que atingem a superfície são preenchidas com substâncias como óleo, cera, resina ou outros materiais para melhorar a sua transparência. Esta prática remonta a séculos e é tão comum que a grande maioria das esmeraldas no mercado foram tratadas desta forma

    .
    Exemplo de esmeraldas que foram submetidas a tratamentos de preenchimento de fraturas com óleos.
    Fonte: Jeffery Bergman – © Primagem

  2. Preenchimento com óleos: O uso de óleos naturais, como o óleo de cedro, é um método tradicional para preencher pequenas fissuras e reduzir a visibilidade de inclusões nas esmeraldas. Este tratamento não é permanente e pode exigir reaplicação ao longo do tempo. Alguns tratamentos envolvem a aplicação de agentes com cor verde misturados nos óleos aplicados nas esmeraldas (Joban oil) mais difundido em lapidações na Índia.
    Óleo verde Joban
    Fonte: Foto Cecile Raley
    Tratamento de óleo observado na gema em cor amarelo.
    Fonte: Ignius Laboratório Gemológico
  3. Preenchimento com resina: Uma abordagem mais moderna envolve a aplicação de resinas poliméricas incolores, como o Opticon, nas fraturas das esmeraldas para aumentar sua transparência. Estas resinas sintéticas são escolhidas pela sua longevidade, pois não se deterioram tão rapidamente como os óleos.

    Microfotografia de uma fissura em esmeralda preenchida com resina
    Fonte: Photo by Ken Scarratt, InColor, Dec. 2015 pg. 54. © ICA InColor Magazine.

Tanto os tratamentos com óleos naturais ou sintéticos ou com resinas tem a tendência de se deteriorarem com o tempo. O uso regular da joia, sua limpeza e eventualmente reparos podem retirar esses tratamentos.

Para resolver essa questão da deterioração dos tratamentos tradicionais, no final dos anos 1990 foram desenvolvidos tratamentos duráveis e permanentes para esmeraldas.

  1. Gematrat/Excel e Permasafe: Tratamentos a base de resinas sintéticas contendo componentes que curam as resinas possibilitando a permanência em definitivo nas fraturas das gemas, não necessitando de novos tratamentos.
    Foto comparativa de uma esmeralda antes e depois de aplicado o tratamento ExCel
    Fonte: https://www.gemsociety.org/article/emerald-enhancements-consumer-and-trade-guide/

É importante observar que, embora esses tratamentos possam melhorar significativamente a aparência das esmeraldas, eles não são o único critério de valoração dessa gema. O valor de uma esmeralda é determinado por vários fatores como qualidade da lapidação, intensidade da cor, pureza, peso em quilates e sua origem, sendo as esmeraldas de alta qualidade que não possuem nenhum tipo de tratamento raríssimas e, portanto, mais valiosas.

Por questões éticas, de transparência e respeito aos consumidores, os vendedores devem divulgar quaisquer tratamentos a que as esmeraldas foram submetidas.

O Laboratório Ignius adota na sua análise e relatório, uma tabela de classificação do grau de tratamento de uma esmeralda emitida pelo LMHC (Comitê de Harmonização do Manual de Laboratório). Esta tabela estabelece uma escala de classificação para esmeraldas, classificando o grau de preenchimento de fraturas como “insignificante”, “fraco”, “moderado” ou “intenso” para ajudar os consumidores e joalheiros.

O laboratório Ignius e seus profissionais gemólogos estão atentos a esses tratamentos ao avaliarem esmeraldas, pois podem impactar significativamente o valor e a qualidade das gemas. Compreender os diferentes tratamentos e os seus potenciais efeitos nas esmeraldas é crucial para avaliar e documentar com precisão as características destas gemas.

Concluindo, embora os tratamentos possam realçar a beleza das esmeraldas, é fundamental que os consumidores estejam atentos a esses tratamentos ao adquirir essas pedras preciosas. A manutenção adequada, incluindo uma limpeza cuidadosa e evitando métodos agressivos como produtos de limpeza ultrassônicos, também é essencial para preservar a qualidade das esmeraldas tratadas.


Esmeralda Bahia
Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

  • Onde são encontradas as esmeraldas?Ficheiro:Emeraude gisements.jpg

As esmeraldas são extraídas em vários locais ao redor do mundo, cada um com características e significados únicos na indústria de pedras preciosas. Aqui estão as principais localidades e locais de mineração onde as esmeraldas são produzidas:

Colômbia:

A Colômbia é conhecida por produzir algumas das melhores esmeraldas do mundo, com uma história de mineração que remonta ao período pré-colombiano há mais de 500 anos.

As três principais áreas de mineração de esmeraldas na Colômbia são Muzo, Coscuez e Chivor, com cada área contribuindo significativamente para a produção de esmeraldas do país e no mundo.

As esmeraldas colombianas são muito valorizadas pela sua intensa cor verde e excepcional transparência.


Esmeralda Colombiana
Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

Brasil:

O Brasil tem uma longa história na busca por esmeraldas. Desde a época do Brasil colônia os Bandeirantes já procuravam esta preciosa gema tão valorizada nas cortes e pelos nobres europeus. Mas foi só em 1963 que a primeira jazida comercial de esmeralda foi descoberta e reconhecida no Brasil. Este achado foi a Mina de Salininha na Bahia e ele deu o início a descobertas de várias e importantes jazidas de esmeraldas com grandes depósitos encontrados principalmente em Minas Gerais, Bahia e Goiás tornando o Brasil um dos maiores produtores desta fabulosa pedra preciosa.


Esmeralda Bahia
Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

Zâmbia:

A Zâmbia é o segundo maior produtor mundial de esmeraldas, sendo os depósitos da área do rio Kafubu (Minas Kagem) a principal fonte de 20% da produção mundial de pedras de qualidade gema.

As esmeraldas da Zâmbia são conhecidas pela sua cor verde profunda e tonalidade ligeiramente azulada, o que as torna muito procuradas no mercado.

Comparação entre Esmeraldas da Zâmbia, Etiópia e Brasil
Fonte: https://www.jcesmeraldas.com.br/origem-e-cores-das-esmeraldas

Outras localidades:

Outros países com depósitos de esmeraldas incluem a Etiópia, o Afeganistão, o Paquistão, Madagascar e a Rússia cada um contribuindo para o fornecimento global de esmeraldas.


Esmeralda Minas Gerais
Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

Características únicas:

Cada localidade tem uma origem geológica e histórico de descoberta único, contribuindo para as características distintas das esmeraldas produzidas naquela região.

Por exemplo, as esmeraldas colombianas são apreciadas pela sua intensa cor verde e excepcional clareza, enquanto as esmeraldas da Zâmbia são conhecidas pela sua cor verde profunda e tonalidade ligeiramente azulada.

Foto: Esmeralda lapidação cabuchon oval com efeito óptico “olho de gato
Fonte: www.gia.edu/gems-gemology/winter-2022-lab-notes-extraordinarily-large-cats-eye-emerald

Curiosidade:

A primeira mina de esmeralda conhecida remonta a antiguidade e está localizada no Egito perto da localidade de Wadi Sikait. A mina também é conhecida como as minas de Esmeralda de Cleópatra e está situada em Jabal Sukayt e Jabal Zabrah, perto da costa do Mar Vermelho, a leste de Aswan. A mina tem um significado histórico, pois foi a principal fonte de esmeraldas até que depósitos significativos foram descobertos na Colômbia no século XVI. As esmeraldas das minas de Cleópatra foram comercializadas até o Mediterrâneo, o Oriente Próximo e a Índia durante a antiguidade.


Esmeralda Colombiana
Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

  • Inclusões

As esmeraldas podem conter inclusões naturais que podem auxiliar na sua identificação (se natural ou sintética) e sua origem geográfica.

As esmeraldas são conhecidas pelas suas inclusões, que muitas vezes são visíveis a olho nu e podem ser bastante distintas. Essas inclusões às vezes são chamadas romanticamente de “jardim”, devido à sua aparência de jardim. Elas também podem auxiliar na sua identificação (se natural ou sintética) e sua origem geográfica.

As inclusões típicas encontradas em cristais de esmeralda incluem:

  1. Inclusões Líquidas: São cavidades dentro da esmeralda que são preenchidas com líquido e às vezes podem conter uma bolha de gás, tornando-as bifásicas ou mesmo trifásicas quando um cristal também está presente.
  2. Inclusões de cristais: Cristalizações naturais de outros minerais podem ser encontradas dentro de esmeraldas, como pirita, calcita e biotita.
  3. Microfissuras: Estas são as inclusões mais comuns e às vezes chamadas de fraturas. Eles podem afetar significativamente a transparência da gema.
  4. Agulhas: Inclusões longas e finas em forma de agulha podem ser encontradas em esmeraldas, que geralmente são minerais como tremolita ou actinolita contribuindo para a formação do efeito óptico olho de gato (chatoyance).
  5. Zoneamento de Cor: Refere-se a áreas com diferentes concentrações de cor dentro da esmeralda, o que pode ser devido a variações na composição dos elementos cromóforos durante a sua formação.
  6. Impressões digitais (finger prints em inglês): São padrões únicos que podem se formar dentro da esmeralda, geralmente como resultado de inclusões de líquidos e gases.
    Microfotografia de uma inclusão trifásica em esmeralda colombiana.
    Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

    Microfotografia de inclusões sólidas de pirita em esmeralda colombiana.
    Fonte: Ignius Laboratório Gemológico


    Microfotografia de inclusões alongadas em esmeralda colombiana.
    Fonte: Ignius Laboratório Gemológico

    A presença e o tipo de inclusões podem variar dependendo da origem geográfica da esmeralda e podem fornecer pistas sobre as condições em que a gema se formou.

    Apesar da presença de inclusões, as esmeraldas de alta qualidade ainda são muito valorizadas e aceitas no mercado.

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