Explorando a Turmalina Paraíba

Essa semana vamos trazer para o nosso Blog, um mergulho mais aprofundado no
fascinante universo das turmalinas Paraíba.
Iremos descrever a origem da turmalina Paraíba e explicar o processo de separação e
classificação de brutos e outras informações. Essa é sem dúvida uma jornada repleta de
desafios, conduzida pelas mãos hábeis dos nossos especialistas aqui no Laboratório
Gemológico Ignius.

Uma gema recém-descoberta de alto valor:

Como muitos de vocês já devem saber, A descoberta da Turmalina Paraíba foi um marco significativo na história das gemas preciosas. Essa gema única, com sua tonalidade azul, com intenso e incomparável brilho “neon” devido à presença de cobre e manganês em sua composição química, a torna verdadeiramente única e desejada por colecionadores e joalheiros ao redor do globo. Sua descoberta foi revolucionária, acrescentando um novo capítulo ao mundo das pedras preciosas.

Inicialmente encontrada no Estado da Paraíba, Brasil, em 1989, novas jazidas dessa gema extraordinária foram identificadas em outras partes do mundo ao longo das últimas três décadas, a saber, no estado do Rio Grande do Norte, Moçambique e Nigéria. Essas descobertas expandiram a disponibilidade da Turmalina Paraíba para o mercado, porém as pedras originárias do Brasil permanecem as mais valorizadas devido à sua raridade e cor intensa.

A valorização da Turmalina Paraíba no mercado tem sido impressionante. Seu apelo estético excepcional, aliado à sua raridade, resultou em preços notavelmente altos. Joalheiros e colecionadores têm demonstrado um interesse crescente por essa gema, buscando no seu deslumbrante azul-neon a criação de peças exclusivas e de alto valor agregado.

Nos últimos 30 anos, a Turmalina Paraíba se firmou como uma das gemas mais cobiçadas e valiosas do mundo. Sua jornada desde a descoberta até a sua posição atual como uma joia rara e deslumbrante exemplifica a contínua fascinação que as gemas preciosas exercem sobre o nosso mundo, onde beleza e raridade se encontram em uma harmonia deslumbrante.

A identificação

O nosso laboratório recebe constantemente gemas de turmalina Paraíba lapidadas, tanto soltas como montadas em joias, para certificação. Essa constância aliada a uma variada gama de tamanhos, formatos e origem dessa magnifica gema, proporcionou aos nossos Gemólogos a oportunidade de acumular experiência e expertise na identificação dessa rara preciosidade.

Identificação do material bruto

Lotes em estado bruto são trazidos ao nosso laboratório para confirmar a autenticidade das turmalinas Paraíba. São pedras que se apresentam em vários tamanhos e qualidades. 

Frequentemente, recebemos lotes em estado bruto (miúdo) com peso abaixo de 0,3 gramas por pedra, apresentando uma ampla gama de cores, do azul-neon, azul ao verde, passando por lilás e rosa. 

Esse tamanho de material que é trazido para identificação se presta principalmente para lapidação de pedras milimetradas ou de pequeno calibre, que são bastante utilizadas na joalheria atualmente.

Para confirmar a autenticidade de cada gema como turmalina Paraíba, começamos com uma leitura de todas as pedras do lote (uma por uma) usando nosso espectrômetro UV-Vis-NIR. Essa avaliação e análise individual inicial é rápida, mas, devido ao pequeno tamanho das amostras que chegam várias vezes em grandes quantidades, pode se tornar uma tarefa demorada e laboriosa.

Nesse processo, frequentemente nos deparamos com uma mistura variada de minerais e pedras sintéticas que contaminam as turmalinas Paraíba autênticas. Essa mistura pode incluir por exemplo: vidro tingido, apatita, água-marinha, esmeralda, ametista e turmalina comum.

Caso a amostra ainda necessite de uma análise mais aprofundada fazemos uso do microscópio e outros equipamentos do nosso laboratório.

Muito cuidado – Um sério alerta 

Um outro aspecto que chama a atenção é que esse material pode ser por vezes utilizado como garantia para empréstimos e financiamentos ou como parte de pagamento na aquisição de bens como carros, imóveis e fazendas.

A legislação brasileira permite o uso de pedras preciosas como ativos financeiros de garantia, mas essa legalidade pode criar situações de alto risco por fraude para instituições financeiras e aos credores. Isso ocorre quando as pedras dos lotes são superavaliadas, desconectando-as do valor real de mercado.

Muitas vezes, materiais misturados são autenticados e avaliados de forma indevida por profissionais sem ética e interesses duvidosos com a finalidade de enganar investidores e compradores que acabam confiando em seus laudos e certificações fraudulentas.

Portanto, o nosso alerta é, ao buscar avaliação para compra ou venda de gemas, brutas ou lapidadas, procure laboratórios gemológicos afiliados a instituições respeitáveis, como Associações de Joalheiros locais como AJOMIG, AJESP, AJORIO e outros, ou o IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Minerais Preciosos).

Qual o equipamento e parâmetros corretos de análise para certificar uma turmalina Paraíba

O espectrômetro UV-Vis-NIR desenvolvido pela empresa Gemlab e o Instituto Canadense de Gemologia, é o equipamento mais comumente utilizado em laboratórios gemológicos brasileiros, tanto pela sua portabilidade como pelo seu preço acessível. Ele muito auxilia a identificar características de inúmeras gemas, inclusive a turmalina Paraíba, avaliando a presença e quantificando os níveis de íons de cobre (Cu²⁺) e manganês (Mn²⁺) que caracterizam essa rara pedra preciosa.

O espectrômetro UV-Vis-NIR é um instrumento que analisa a luz absorvida, refletida ou transmitida por amostras minerais identificando e quantificando elementos químicos presentes. Ele abrange uma vasta faixa do espectro eletromagnético, desde luz ultravioleta até infravermelho próximo, permitindo análises precisas.

Isso permite uma medição precisa da presença de íons de cobre (Cu²⁺) e manganês (Mn²⁺) em turmalinas. Na turmalina Paraíba, especificamente, haverá um pico discreto entre 415 e 520nm para Mn²⁺ e dois picos distintos, um por volta de 700nm e outro mais amplo em 920nm para Cu²⁺, conforme ilustrado no gráfico anexo.

Se a amostra de turmalina não apresentar claramente esses dois picos acentuados no gráfico de espectro do espectrômetro para o íon Cu²⁺, o laboratório não poderá confirmar a qualificação da turmalina como do tipo Paraíba.

Iniciar conversa
Fale conosco pelo Whatsapp
Escanear o código
Olá
Como podemos ajudá-lo? 💎🧐🔬