O rubi Hixon, 196,10 ct, e cabochão de rubi estrela de 18,29 quilates
doado em 1978 ao Museu de História Natural de Los Angeles
Crédito: GIA

 

Hoje, vamos explorar uma das gemas mais fascinantes e cobiçadas: o deslumbrante rubi, que é a gema associada ao mês de julho.

1) Nomenclatura

O rubi, com sua tonalidade vermelha vibrante e apaixonante, deriva seu nome do latim “rubeus”, que significa “vermelho”. Esta designação é uma homenagem à sua cor intensa, semelhante ao vermelho do fogo e do sangue. Pertencente à família do coríndon, o rubi é conhecido por sua coloração que varia do vermelho-rosado ao vermelho profundo, sendo reverenciado por sua beleza e elegância atemporais.

rubi em mármore metamórfico

Rubi bruto e lapidado oval e cushion
Foto cortesia: GIA 

2) Principais características

Formado em condições de alta pressão e temperatura no interior da crosta terrestre, o rubi é um mineral composto principalmente por óxido de alumínio. A característica cor vermelha do rubi é atribuída à presença de cromo, que é o elemento cromóforo incorporado à sua estrutura cristalina. Quanto maior a presença de cromo, mais intensa é a tonalidade vermelha da gema. Essa composição química única, combinada com fatores como a estrutura cristalina e possíveis inclusões, contribui para as diversas nuances de vermelho e as texturas internas encontradas nos rubis.

Reconhecido por sua coloração que varia de tons claros a profundos de vermelho, o rubi também é apreciado por sua notável transparência, embora possa conter inclusões que, em grande quantidade, conferem um aspecto sedoso à gema, sendo lapidadas em formatos que realcem sua beleza natural.

Além de sua beleza incomparável, o rubi destaca-se por sua durabilidade e dureza, atingindo 9 na escala de Mohs, tornando-o uma escolha ideal para joias de alta qualidade. Sua história rica em lendas e seu apelo místico fazem dele uma das gemas mais desejadas e valorizadas em todo o mundo.

The Sunrise Ruby.
Foto: Cortesia de Sotheby’s
https://galeriemagazine.com/rubies-most-famous/

3) Inclusões

Inclusões naturais em rubis são características internas que podem fornecer informações valiosas sobre a origem da gema e seus processos de formação. Aqui estão alguns dos tipos mais comuns de inclusões encontradas em rubis:

Inclusões de outros minerais

  1. Cristais de Rutilo: conhecidos como “sedas”, esses cristais de rutilo são finas agulhas que podem se formar em padrões alinhados. Quando bem distribuídas, essas inclusões podem causar o efeito óptico de asterismo, resultando em rubis estrela.
  2. Cristais de Espinélio e Feldspato: São comuns em rubis e podem variar em tamanho e forma. Essas inclusões geralmente aparecem como pequenos pontos ou cristais bem definidos.
  3. Cristais de Calcita e Pirita: Podem ser encontrados em rubis e variam em forma e tamanho, aparecendo frequentemente como pequenos pontos brilhantes ou estruturas geométricas.

Neelanjali-Rubi

O Rubi Neelanjali
Inclusões de cristais de titânio, formam o rubi estrela, asterismo
Crédito: https://www.gemportjewellers.ca/2018/07/01/check-out-some-of-the-worlds-most-famous-rubies/

Cristais protogenéticos arredondados de espinélio laranja são extremamente raros em rubi birmanês.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

Uma rara inclusão de iolita (cordierita) é vista neste rubi da Groenlândia.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

Inclusões líquidas

  1. Trifásicas: Essas inclusões contêm três fases – gás, líquido e sólido. Elas são formadas durante o crescimento da gema e podem ser vistas como bolhas pequenas com inclusões sólidas dentro.
  2. Fluidas: Inclusões de líquido que aparecem como finas linhas ou redes dentro do rubi. Essas inclusões são formadas por fluidos que ficam presos durante o crescimento do cristal.

 

Inclusões zonadas e de fraturas e fissuras

  1. Healing fractures (Fraturas curadas): Pequenas fissuras que foram parcialmente curadas durante o crescimento do rubi. Elas podem aparecer como linhas finas ou redes de linhas dentro da gema.
  2. Fissuras: Fissuras naturais que não foram curadas. Podem impactar negativamente a clareza e a durabilidade da gema.
  3. Zonas de Crescimento: Marcas visíveis dos estágios de crescimento da gema, que podem ser observadas como linhas ou bandas paralelas dentro do rubi.

Inclusões de película fina delicadamente padronizadas e orientadas cristalograficamente são encontradas em um rubi do Vietnã.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

 

Importância das Inclusões

As inclusões em gemas auxiliam muito durante a análise gemológica:

– Autenticidade: Inclusões naturais podem ajudar a confirmar que a gema é genuína e não uma imitação sintética.

– Origem: Determinadas inclusões podem indicar a origem geológica do rubi, como as “sedas” de rutilo que são mais comuns em rubis de Myanmar.

– Qualidade: A quantidade, tipo e visibilidade das inclusões podem afetar a transparência e o valor do rubi. Grandes inclusões ou em grande número podem diminuir o valor, enquanto inclusões bem distribuídas e diminutas podem aumentar o valor.

Fluido de dióxido de carbono preso em cristais negativos angulares neste rubi do Tajiquistão prova que a pedra não foi tratada termicamente.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

4) Imitações

Devido à sua valorização e atratividade, os rubis podem ser alvo de substituições por gemas naturais de valor inferior, como a granada vermelha ou o espinélio vermelho. Além disso, existem diversas imitações sintéticas que tentam replicar sua beleza e características.

Entre as imitações mais comuns, destacam-se o vidro colorido, o quartzo sintético e o espinélio sintético, que são fabricados para se assemelharem aos rubis em termos de cor e brilho. Essas imitações, apesar de visualmente semelhantes, não possuem as mesmas propriedades físicas e químicas dos rubis naturais.

Lote Granada Piropo SI 9,5 Qt 1,9 Gramas

Granada vermelha
Crédito: https://metaisminerais.loja2.com.br/8976138-Lote-Granada-Piropo-SI-9-5-Qt-1-9-Gramas

 

cristal de espinélio vermelho sobre rocha de marmore de Mogok na Birmâna

Cristal de Espinélio vermelho sobre rocha de mármore de Mogok na Birmânia
Crédito: https://www.patrickvoillot.com/pt/gemstones/spinelle-pt/

 

Rubi criado em laboratório, lapidação coração
Crédito: https://www.gemsngems.com/product/lab-created-ruby-5-heart/

5) Tratamentos em Rubis

Os rubis, como outras gemas preciosas, frequentemente passam por tratamentos para melhorar sua aparência e aumentar seu valor comercial. Aqui estão alguns dos tratamentos mais comuns aplicados aos rubis:

Tratamento Térmico

O tratamento térmico é o método mais comum utilizado para melhorar a cor e a pureza dos rubis. Esse processo envolve aquecer as gemas a temperaturas elevadas, geralmente entre 800°C e 1800°C. O aquecimento pode resultar em:

  1. Remoção de Inclusões: O calor pode ajudar a dissolver inclusões internas, tornando a gema mais transparente.
  2. Intensificação da Cor: O aquecimento pode alterar a valência dos elementos cromóforos (como o cromo), resultando em uma cor vermelha mais vibrante e homogênea.
  3. Remoção de Zonas de Cor: Pode eliminar ou reduzir zonas de cor indesejadas dentro da gema, criando uma tonalidade mais uniforme.

O tratamento térmico de rubi na presença de fluxo pode ajudar a curar rachaduras. Também pode deixar resíduos de fluxo presos no interior, como visto neste rubi birmanês.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

O aquecimento de um rubi tailandês causou a ruptura dessa inclusão, fornecendo evidências de tratamento.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

Uma nuvem hexagonal resulta do tratamento térmico deste rubi birmanês de Mong Hsu.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

Tratamento por difusão de elementos

Este tratamento envolve a difusão de elementos como berílio na superfície do rubi. O berílio pode penetrar na estrutura cristalina da gema e alterar sua cor de maneira significativa. Existem dois tipos principais de difusão:

  1. Difusão de Berílio: Pode transformar rubis com coloração fraca ou pálida em gemas com cores vibrantes e intensas. Esse tratamento é difícil de detectar sem o uso de equipamentos gemológicos avançados.
  2. Difusão de Titânio e Ferro: Utilizados para criar ou intensificar a estrela (asterismo) em rubis estrela.

Nos tratamentos por difusão para melhorar a cor, fluxos de Sílica e Boro podem deixar resíduos que são visíveis sob ampliação ao microscópio.

Difusão interna de titânio ao redor de um cristal de rutilo em um rubi difundido com berílio.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

Tratamento com óleos ou resinas

Assim como nas esmeraldas, algumas fissuras nos rubis podem ser preenchidas com óleo ou resina para melhorar a transparência da gema. Esse tratamento é menos comum em rubis do que em esmeraldas, mas ainda é utilizado.

Irradiação

A irradiação é usada ocasionalmente para alterar a cor dos rubis. No entanto, este tratamento é menos comum devido à instabilidade da cor resultante e à necessidade de cuidados especiais na manipulação e armazenamento das gemas irradiadas.

Preenchimento de fissuras com vidro (Glass filling)

Um método controverso, mas amplamente utilizado, é o preenchimento de fissuras em rubis com vidro contendo chumbo. Esse tratamento introduz vidro nas fissuras do rubi durante um processo de aquecimento em altíssimas temperaturas. Os rubis tratados com vidro podem apresentar uma aparência significativamente melhorada, mas sua durabilidade e valor podem ser comprometidos. Esse tipo de tratamento deve ser divulgado ao comprador, pois o vidro é suscetível a deterioração nos processos de produção e limpeza de joias.

Antes e depois de tirar o tratamento de GlassFilling
Crédito: https://media.licdn.com/dms/image/C4D12AQEhjZGPW9TBEw/article-inline_image-shrink_1500_2232/0/1520169682337?e=1725494400&v=beta&t=FQd5K8Lr8XQPxU1jRedl8lN2GvA3oaUsrmnAJTw1gpk

Um “efeito flash” azul e laranja é proeminente neste rubi preenchido com vidro de chumbo.
Crédito: Fotomicrografia pela equipe do GIA.

Identificação e avaliação de tratamentos

A identificação dos tratamentos requer um exame gemológico detalhado, incluindo o uso de microscópios, espectroscopia e outros métodos mais avançados e sofisticados. Os consumidores devem sempre solicitar certificados de autenticidade de laboratórios gemológicos respeitáveis para garantir a veracidade e a qualidade dos rubis que estão adquirindo.

6) Onde são encontrados os rubis:

Os rubis são encontrados em várias regiões do mundo, cada uma com características únicas que influenciam a qualidade e o valor das gemas extraídas. Aqui estão alguns dos principais locais de extração de rubis:

Mapa-múndi mostrando as 11 localidades de origem do rubi (símbolos rosa) e da safira azul (símbolos azuis) analisadas neste estudo. Também é mostrada uma 12ª localidade, a Groenlândia. Dados de rubis desta localidade [12] estão incluídos na discussão.

Mapa-múndi mostrando as 11 localidades principais de origem do rubi (símbolos rosa) e da safira azul (símbolos azuis)
Crédito: https://www.researchgate.net/figure/World-map-showing-the-11-localities-of-origin-for-ruby-pink-symbols-and-blue-sapphire_fig1_341454488

Myanmar (Birmânia)

Myanmar é conhecido por produzir alguns dos rubis mais valiosos e de alta qualidade do mundo. A região de Mogok, em particular, é famosa por seus rubis de “sangue de pombo”, que são altamente valorizados por sua cor vermelha intensa e pura. Rubis da Birmânia frequentemente possuem uma fluorescência vermelha sob luz ultravioleta, o que aumenta ainda mais sua vivacidade.

Tailândia

A Tailândia, especialmente a região de Chanthaburi, é um importante centro de produção e comercialização de rubis. Os rubis tailandeses tendem a ser de uma tonalidade vermelha mais escura, muitas vezes com um leve tom arroxeado. A Tailândia também é conhecida por suas técnicas avançadas de tratamento térmico para melhorar a qualidade das gemas.

Sri Lanka

Sri Lanka, anteriormente conhecida como Ceilão, produz rubis de várias tonalidades, desde o vermelho claro até o vermelho profundo. Os rubis de Sri Lanka são geralmente mais claros do que os de Myanmar e podem apresentar um tom rosado. A ilha é famosa por sua longa história de mineração de gemas e pela alta qualidade de suas pedras preciosas.

Moçambique

Nos últimos anos, Moçambique emergiu como uma das principais fontes de rubis. Os depósitos de Montepuez produzem rubis de cores vibrantes e de alta qualidade, alguns dos quais podem competir com os melhores rubis de Myanmar. A mineração em Moçambique é relativamente nova, mas já está causando um grande impacto no mercado global de rubis.

Tanzânia

A Tanzânia, especialmente a região de Winza, é outra importante fonte de rubis. Os rubis tanzanianos podem variar de vermelho a vermelho-rosado e frequentemente possuem uma boa clareza. A Tanzânia também é conhecida por suas pedras preciosas multicoloridas, incluindo safiras e tanzanitas.

Afeganistão

O Afeganistão, especialmente a região de Jegdalek, é conhecido por seus rubis de alta qualidade. Esses rubis frequentemente possuem uma cor vermelha rica e intensa e são valorizados por sua beleza natural.

Vietnã

Os rubis vietnamitas, encontrados nas regiões de Luc Yen e Quy Chau, são conhecidos por sua clareza e cor vibrante. Esses rubis podem variar do vermelho ao vermelho-rosado e são frequentemente comparados aos rubis de Myanmar em termos de qualidade.

Madagascar

Madagascar é uma fonte importante de várias gemas, incluindo rubis. Os rubis de Madagascar são conhecidos por sua variedade de cores e boa clareza. A ilha tem uma rica geologia que suporta a formação de várias pedras preciosas de alta qualidade.

Índia

A Índia tem uma longa história de mineração de rubis, especialmente na região de Mysore. Embora a produção atual não seja tão significativa quanto em outras regiões, a Índia ainda é uma fonte notável de rubis de boa qualidade.

Groenlândia

Os rubis da Groenlândia são uma das fontes mais recentes e excitantes de rubis de alta qualidade. Descobertos em grandes quantidades na região sudoeste do país, esses rubis são extraídos principalmente da área de Aappaluttoq. As pedras são notáveis por sua cor vibrante, variando de vermelho rosado a vermelho profundo.

Conclusão

Os rubis são encontrados em várias partes do mundo, cada um com suas características únicas que influenciam sua qualidade e valor. Ao adquirir rubis, é importante considerar sua origem, pois isso pode afetar significativamente sua aparência e preço. Além disso, sempre é recomendado buscar gemas certificadas de fontes confiáveis para garantir sua autenticidade e qualidade.

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Anel oval de rubi birmanês de 13,21 quilates foi vendido por quase US$ 6 milhões – US$ 451.000 por quilate – na Christie’s Hong Kong em 26 de novembro de 2013.
Foto cortesia da Christie’s Images Ltd

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Colar de rubis e diamantes birmaneses pesando 87,78 quilates foi vendido por US$ 6,4 milhões na Christie’s Hong Kong em 26 de novembro de 2013 – o maior valor já pago por um colar de rubis em um leilão.
Foto cortesia da Christie’s Images Ltd

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